HISTÓRIA


A origem de Lucca é tão antiga que se torna inevitável conviver com algumas polêmicas, pois são incontáveis os mistérios e segredos ainda guardados em cada canto, sob cada centímetro de sua terra.


Há quem a compare a uma velha senhora, um pouco esnobe, que nunca quis envelhecer e que sempre se ‘pavoneou’ do papel privilegiado que a história lhe confiou ao longo dos séculos. Foi colônia latina (180 a.C.), município romano (89 a.C.-56 a.C.), capital do marquesado da Tuscia (séc.VI). Foi Comune e transformou-se em gloriosa república aristocrática para depois assumir o papel de Principado (séc.XVIII), sob o comando de Elisa Bonaparte Baciocchi, irmã de Napoleão. Ainda antes de se tornar uma tranquila Província do Estado Italiano (1860), no mesmo século, Lucca precisou ser um Ducado sob o comando da Espanha. 


Nesta história milenar, qual teria sido a origem de seu próprio nome? ‘Luca’, aquele pedaço de terra à salvo, em uma região alagada pelo rio Auser (hoje, rio Serchio), onde se fixava o primeiro vilarejo de pescadores? Ou então, seria ‘Lucus’, uma ilha deste mesmo rio, recoberta por uma vasta área de bosques? Lucca poderia também ter sido a terra de ‘Lucio Lucumone’, um etrusco a quem se atribui a fundação da cidade. Mas os ‘lucchesi’ preferem acreditar que tenha sido ‘Luk’, o lugar pantanoso dos povos lígures.

As dúvidas não param por aí. Se é certo que os lígures chegaram primeiro, seguidos pelos etruscos, também é difícil afirmar quem foi o primeiro romano a colocar os pés em nossa querida Lucca. Lendas deixam dúvidas se foi o cônsul Sempronio ou o cônsul Augusto. Porém, depois de se dar conta de sua existência, é fato a rapidez com que Roma enviou 2 mil romanos para lá, para colonizar suas terras no estilo da futura capital do Império. 

Lucca hospedou o próprio Cesar e uma comitiva de romanos, entre os quais 200 senadores, durante alguns meses. Cesar, Pompeu e Crasso, em 56 a.C., estavam em Lucca quando renovaram o pacto do Primeiro Triunvirato, como forma de governo. Nessa fase conseguiu ainda maior destaque não só pelo seu importante papel como via de ligação entre o resto da Europa e Roma, mas também na área diplomática. 

Piazza Anfiteatro
Foi também nesse período que os romanos fizeram a primeira modificação na muralha original, que era do séc. II a.C., e iniciaram a organização interna da cidade, seguindo os modelos romanos: a existência de uma praça central e principal (Piazza de S.Michele), um teatro e um anfiteatro (II d.C.), palco de cruéis espetáculos, cujo testemunho permanece até hoje na praça que mantém a sua forma e o seu nome (Piazza Anfiteatro), mesmo que sobre as escadarias originais tenham sido construídas moradias.
   
Uma longa história, com ganhos e perdas de território, períodos de conquistas importantes ou total submissão. Nas disputas por terras e poder, vieram os lombardos.  Depois os francos com Carlos Magno. Lucca de fato representava um importante ponto de passagem de pessoas e mercadorias. Por isso, sua surpreendente preservação: a nenhum de seus inimigos teria sido conveniente destruí-la.

A Via Francigena, antiga Via Romea, que ligava Roma ao norte da Europa, desempenhou um papel muito especial, fazendo de Lucca uma etapa de parada obrigatória para todos os peregrinos que pretendiam alcançar a capital do catolicismo. Além disso, era por ali que deviam passar todos os soberanos e os aspirantes a imperadores para chegarem a Roma. Lucca não deixou escapar essa oportunidade. Acolheu com refinamento e sabedoria esses importantes hóspedes, na esperança de receber no futuro vantagens e privilégios. 

De Cesar a Carlos Magno, passando por todos os chefes dos povos nórdicos, soberanos e papas, ninguém deixou de visitar Lucca. Desta forma a cidade conquistou o delicado papel de arbitro em tantos conflitos, o que lhe valeu, durante séculos,  notoriedade e crédito internacional. Por todas essas características que desenharam sua forte personalidade, a cidade viveu períodos de grande riqueza.

"Tutti la vogliano!" (Todos a querem!)


Lucca sempre soube manter sua característica de "camaleoa", buscando preservar sua cultura e suas tradições, mesmo nas mais difíceis situações. Vendida e recomprada, mais de uma vez, por 35, 60 ou 100 mil florins. Sob  o domínio das tropas mercenárias do Imperador Ludovico - o Bárbaro. Conquistada, em 1799, por Napoleão e em seguida transformada num Principado sob o comando de Elisa Bonaparte Baciocchi, a mais ambiciosa e empreendedora de suas irmãs. Lucca foi sempre capaz de manter seu semblante de liberdade. Mesmo que fosse preciso fazer e desfazer alianças, conforme sua conveniência. Ora amiga, ora inimiga, de Firenze, Pistoia, Prato, Montecatini e Siena.  Uma coisa, porém, é certa: o único acordo jamais feito foi com Pisa. Suas "diferenças" com esse vizinho são muito antigas. Os primeiros sinais indicam o ano de 1004, quando Lucca decidiu fortalecer sua importante localização estratégica e conquistar uma faixa do litoral que pertencia a Pisa. 

As condições políticas podiam variar e o assédio vir de diferentes povos e regiões, mas o orgulho ‘lucchese’ sempre pareceu mais fortemente ferido quando as disputas eram perdidas para Pisa. E foi quando a discórdia entre Papa e Imperador dividiu os povos em ‘guelfi’ (apoio ao Papa) e ‘ghibellini’ (ao lado do Imperador), que Lucca e Pisa mais uma vez tomam partidos opostos. Pisa opta pelo apoio ao Imperador e Lucca se decide pelo poder do Papa. Mas Lucca também fica dividida internamente. De um lado as famílias nobres (guelfi brancos) e de outro os comerciantes e artesãos (guelfi pretos). E foi enfraquecida por esse atrito que Lucca cria o quadro favorável à traição de um dos seus. O ‘lucchese’ Castruccio Castracani, unido ao pisano Uguccione della Faggiola, em 1314, a invade durante a noite, com 11 mil soldados, a saqueia e a domina. Por três dias consecutivos as ruas do centro foram palco de roubos, incêndios, destruição e matança. A cidade padece por anos e anos ao domínio tirano de Castruccio, mas mesmo assim não deixa de viver tempos de prosperidade. Lucca torna-se a capital militar da Toscana e uma das principais ‘cidade-estado’ da Idade Média italiana.


"Le sue ricchezze" (As suas riquezas)



Sua economia alcança os mais altos patamares graças a sua inexplicável dedicação e sucesso no ramo da seda, que se desenvolve nos anos de 1200. A qualidade de seus tecidos conquistou o mundo. Rendeu-lhe privilégios na tributação e no livre comércio. E foi com a proposta de garantir essa qualidade, manter o segredo da sua manufatura e organizar esta generosa atividade mercantil, que surgiu em Lucca uma das primeiras associações de classe da história – a ‘Corte dei Mercanti’, extinta só em 1807, por decisão da princesa Elisa Bonaparte.


Mas a seda não era o único sonho de consumo por produtos “made in Lucca” naquela época. Pequenas estatuetas de gesso - le figurine - criadas pela arte ‘dei figurinai’ também conquistaram mercados muito além de suas muralhas. E como riqueza chama riqueza, Lucca se torna berço de importantes banqueiros. A cunhagem de moedas, introduzida na cidade pelos longobardos, vinha sendo operada com exclusividade, por muitas décadas, pela família Mansi, que, somente nos anos de 1200, entrega essa atividade para a própria cidade. A “Zecca di Lucca” (equivalente a Casa da Moeda), a mais antiga da Europa,  ganha então absoluta expansão e chega a cunhar até mesmo as moedas de seus tradicionais inimigos, Firenze e Pisa. O seu sistema bancário se fortalece a ponto de soberanos de grandes Estados pedirem empréstimos (nem sempre quitados) aos banqueiros de Lucca.


"La sua cassaforte" (a sua caixa-forte) 



Mas será que Lucca conseguiu tanta riqueza porque foi muito bem protegida ou protegeu-se sempre e tanto por ser muito rica? O que sabemos é que pelos longos períodos de enorme riqueza e pela sua imensa altivez, Lucca sempre foi obstinada em manter-se livre e preservada. Isso explica ter sido concebido ali um dos mais fabulosos conjuntos de obras de engenharia militarDiferente das tradicionais cidades medievais, que dominavam o alto das colinas, Lucca fica numa planície. Além de “le Mura”, foi planejado e construído um complexo sistema de vigilância por todo o território ‘lucchese’.  Mais de 19 torres e castelos, estrategicamente localizados nos pontos mais altos, eram responsáveis pela constante vigilância. Formavam uma perfeita rede de comunicação para prevenir a cidade das tentativas de aproximação dos inimigos.

Mais tarde, muitas torres foram construídas também dentro da cidade murada. Mas estas não faziam parte de qualquer plano de segurança. Era assim – pela beleza e altura de sua torre - que as famílias nobres sinalizavam e disputavam prestígio, força e poder. Isso lhe rendeu o apelido de“cidade das 100 torres” e, provavelmente, até onde nossa imaginação pode nos guiar, a aparência de um cenário surreal. Talvez todas estivessem ainda preservadas se não fosse pelas forças da natureza ou pelas falhas de construção, mas, sobretudo, por ordem de Castracani. Ele determinou que as únicas torres da cidade, ou pelo menos as mais altas, fossem as 29 de sua fortaleza Augusta, construída por Giotto, em 1322, e que englobava 1/5 de toda a cidade! Aliás, a maioria de suas 29 torres foi erguida justamente com pedras das torres que ele mandou demolir.


"Tempi scuri" (Tempos escuros)


Castracani morre prematuramente tomado pela malária e Lucca inicia um período de decadência. Sua economia também encontra sérios problemas, afinal nem todos os ‘lucchesi’ eram totalmente perfeitos! Vaidade e ganância seduziram vários fabricantes de seda que chegaram a montar filiais pela Europa, como em Lion e Genebra. O segredo da manufatura da seda, mantido por gerações e gerações, não sobrevive fora de ‘le Mura’.  Acaba nas mãos da concorrência que começa a produzir boa seda. Lucca perde o domínio do mercado. Várias manufaturas vão à falência. E mais uma vez, tempos difíceis...

A cidade passa pela mãos dos genoveses, fiorentinos e por fim, mais uma vez, a maior das humilhações – os pisanos! De nada vale sua heróica resistência. O ódio de seus eternos inimigos não deixa espaço para esperanças e para a população ‘lucchese’ o destino determina mais de 20 anos de dura ditadura pisana, que reduz Lucca a um estado de escravidão.


Só em 1369 Lucca reconquista sua liberdade! O poder fica por alguns anos nas mãos da renomada família Guinigi e Lucca, motivada por definitivamente virar essa página na sua história, decide-se pela demolição da fortaleza Augusta.


Na virada do século, uma nova cinta murada é construída. Mas, se Lucca parecia protegida dos perigos externos, lá dentro, nem tudo estava tão tranquilo. Novas brigas pelo poder. Novos e grandes prejuízos econômicos. Um difícil clima religioso com o surgimento da doutrina de Lutero. A ‘praga’ das heresias, a Inquisição, a fuga de nobres e personagens ‘iluminados’ para cidades mais tolerantes, como Genebra, levando consigo riquezas e atividades empreendedoras. Com este quadro cinzento, em menos de um ano, duas revoltas populares contra o poder. E, finalmente, a aristocracia consegue ter o domínio da situação. 

"Ah! Le nostre belle mura" (Ah! As nossas belas muralhas)


A muralha de Lucca feita com 6 milhões de pedras
Em 1502, sempre preocupada com sua preservação, nasce a ideia de uma terceira cinta murada. Além de ser um excelente instrumento de defesa, é também símbolo do novo poder da cidade.  Cidade e muralha seguem sua história até que em 1544, o projeto do arquiteto Matteo Civitali ganha vida e são iniciados os trabalhos de ampliação de ‘le Mura’. 

Foi preciso um século e seis milhões de pedras para que ‘le Mura’ ganhasse a forma preservada até hoje. Pena que ao final dos trabalhos, em 1645, já não cumprisse tão completamente seu papel. Os tipos de armas de guerra tinham evoluído mais rapidamente que as obras. Isso poderia ter tido alguma importância na preservação da riqueza histórica de Lucca? Talvez sim, se não fosse pela sua inabalável e inexplicável proteção suprema. Afinal se estas muralhas renascentistas nunca foram utilizadas como escudo militar, serviram ao menos para salvá-la de uma enorme enchente, que alagou todo seu entorno, com o transbordamento do rio Serchio.



"Lucca e la Donna francese" (Lucca  e a mulher francesa)



No início dos anos 1.600, novos problemas.  As epidemias de peste e a carestia somam-se ao agravamento da tenebrosa ‘caça as bruxas’.  Lucca sai deste período extremamente empobrecida. Apenas o clero consegue recuperar rapidamente suas riquezas graças a influência dos próprios sermões e doações recebidas. Seu grande patrimônio imobiliário, com inúmeros conventos e igrejas, explicam Lucca ter sido rebatizada como a "cidade das 100 igrejas".

Fora da Itália, duas grandes potências – França e Áustria -lutam por territórios e poder. Foi então que o minúsculo Estado de Lucca compreendeu, mais uma vez, seus dias de liberdade contados pela inadequada capacidade de suas armas e de seu exército e rendeu-se ao general francês Serrurier.

Com o vaivém de poder entre franceses e austríacos, Lucca ‘valsou’, em apenas cinco anos, entre três experiências de governo de República Democrática francesa e duas Regências Provisórias austríacas. Mas quando Napoleão firmou seus domínios, a tradicional diplomacia ‘lucchese’ agiu prontamente. Enviou dois embaixadores a Paris para pedir ao próprio Napoleão um tratamento especial para Lucca.

Foi assim que a gloriosa Republica ‘lucchese’ transformou-se num Principado sob o comando de Elisa Bonaparte que, aos poucos, procurou fazer dela uma pequena Paris. Importantes obras, palácios, praças e muitas festas tomaram conta da cidade. Até que Elisa precisa partir em consequência da queda de Napoleão. O destino de Lucca passa então a ser escrito pelas mãos do Congresso de Viena.  E na divisão dos ‘espólios’ de Napoleão, Lucca coube aos espanhóis.

"Lucca e la Donna spagnola" (Lucca e a mulher espanhola)


Lucca ‘troca de pele’ mais uma vez transformando-se num Ducado, comandado por mais uma figura feminina - Maria Luisa de Bourbon.  Esta, porém, ao contrário de Elisa, tinha fama de ser intransigente, conservadora e ‘carola’. Muito rapidamente o clero consegue receber de volta todo o seu patrimônio confiscado por Elisa. Mas, muito rapidamente acaba também o reinado de Maria Luisa. Ela morre e assume Carlo Ludovico, seu filho. Libertino e gastão. Apesar disso, por um tempo, a economia prosperou graças ao governo estar mais nas mãos de seus assessores - os irmãos Mansi - do que dele mesmo. 

Luxuosas viagens e jogos de azar eram o principal interesse do Duque. Os cofres da cidade não suportam. Em segredo, Carlo oferece a cidade como pagamento de suas dívidas aos fiorentinos.  O negócio acaba sendo fechado com a concordância do Congresso de Viena.


"La strada per la Provincia" (O caminho para a Província)
 


Uma grande ducha fria para os ‘lucchesi’. Um duro golpe ao prestígio e a sua imagem de secular potência, construída com épicas batalhas e o sacrifício de tantos homens. Anos difíceis sob o comando Fiorentino-austriaco nas mãos do Granduca da Toscana, Leopoldo di Lorena.

Por toda a Itália surgiam movimentos que buscavam restituir a independência para toda a Península. Várias rebeliões sem sucesso. Vidas sacrificadas. Até que em 1859 chega o exército francês, sob o comando de Girolomo Bonaparte, em apoio aos líderes da revolta. A Toscana é novamente uma terra livre. A Itália independente busca agora sua unificação e Lucca precisa mais uma vez escolher seu destino. Através do voto popular, decide-se a favor da adesão ao nascente Estado italiano.

Mas mesmo assim, ainda precisou mostrar sua competente e incansável diplomacia para preservar seu maior poder de sedução – Le Mura.  O Estado Italiano pretendia desfazer-se deste estupendo símbolo, classificando-o (imaginem só!) de inútil e obsoleto. Lucca não “deixou barato”. Comprou sua própria muralha por 122 mil liras! Sem considerar todas as variações sofridas pela antiga moeda italiana, hoje esse valor seria equivalente a apenas míseros 63 euros. Mas de qualquer maneira, foi assim que o mais belo e intacto testemunho do seu ilustre passado torna-se incontestavelmente seu.

Enfim, Lucca pode desfilar soberbamente como uma tranquila Província da Itália.



"Le grande guerre" (As grandes guerras)


Lucca prospera. Surgem as primeiras grandes indústrias. Mas o destino reservou grandes perdas para o mundo todo: a primeira Grande Guerra. Toda a bela arquitetura de Lucca se manteve preservada. Infelizmente, seu povo e seu caminho de progresso, não.  A situação pós-guerra não poderia ser diferente: grande descontentamento e tristeza. Ingredientes favoráveis para um rápido avanço da nova política, o fascismo. 

Mais tarde, o mundo todo sofre novamente com a 2ª Guerra Mundial e nem Lucca é poupada desta dor. Seu território sofre bombardeios ferozes dos alemães. Vários e tristes episódios marcam a história de muitos de seus vilarejos. Muitos choram a perda de suas casas ou a morte de parentes e amigos. Mas, inexplicavelmente (ou pela sua própria proteção mágica) toda a riqueza arquitetônica existente dentro de ‘le Mura’ sai intacta de mais uma guerra!

A Itália deixa então de ser guiada pela monarquia da casa real de Savoia, proclamando sua República, em 1946.

 

"Il bacio del destino" (O beijo do destino)


“Desde então Lucca reencontrou sua própria estabilidade, chegando até nós com aquele ar austero e um pouco nobre, conservado ao longo dos séculos. Mantendo os traços típicos da colonização romana. Destacando sempre mais a valorização àqueles monumentos, dos quais é a única herdeira. Desejando sempre que as futuras gerações também possam perceber o orgulho e a imagem de uma cidade-estado, que foi beijada pelo destino e que soube vencer a própria história.” - Paolo Bottari

Cada fato, cada escolha, cada perda ou vitória, cada minuto nos séculos e séculos de história desta cidade, parecem confirmar que “o futuro não foi feito para ser previsto, mas para ser criado.” Esta afirmação é de um filósofo contemporâneo, Erwin Laszlo¹. Mas esse pensamento com certeza já estava impregnado na história de Lucca desde o seu início . E convenhamos, ela soube muito bem criar o seu futuro!

¹ Co-fundador do Clube de Roma e presidente do Clube de Budapeste, duas organizações dedicadas a paz e a compreensão entre as gerações.

OUTROS FATOS CURIOSOS SOBRE A HISTÓRIA DE LUCCA

  • Castruccio Castracani nasceu em Lucca em 1281, herdeiro de uma das mais ricas famílias lucchesi que se dedicava às atividades mercantis e de crédito a nível europeu, detentora de um vasto patrimônio imobiliário e feudal.
  • Niccolò Machiavelli viu em Castracani o exemplo perfeito - 'cuspido e escarrado' - do seu Príncipe !
  • Quando em 1314,  com a traidora ajuda de Castracani, Lucca foi invadida por 11 mil soldados pisanos e alemães, eles se apoderam do tesouro papal,  então depositado na igreja de San Frediano, aguardando seguir viagem para Avignon.
  • Lucca foi a primeira cidade Toscana a ser evangelizada. Bastou o apóstolo Pedro enviar o discípulo S.Paolino da Antiochia, no ano de 47, para os 'lucchesi' começarem a se converter em massa e  construírem as primeiras igrejas. S. Paolino se tornou o primeiro bispo da cidade.
  • Lucca fez dois papas para a igreja católica: Papa Alessandro II (1061) e Papa Lucio III (1181), conhecido como o Papa das Cruzadas.
  • Quando os 'fiorentinos' resolveram querer conquistar Lucca, diante da intransponível muralha, apelaram simplesmente para a genialidade do famoso arquiteto Brunelleschi, autor do magnífico Duomo de Firenze. Ele deveria inventar uma complexa obra de engenharia militar que obrigasse a população a abrir os portões da cidade. Milagrosamente o plano foi descoberto e "o feitiço virou contra o próprio feiticeiro". Pelo projeto de Brunelleschi as águas do fosso e do rio Serchio deveriam invadir a cidade, mas alguns corajosos 'lucchesi', na calada da noite, fizeram com que as águas acabassem inundando o exército inimigo que dormia do lado de fora, aos pés da muralha.
  • O sistema defensivo criado por Lucca, com a construção de torres de vigilância em todo o seu território, foi descrito por Dante  Aligheiri na sua Divina Comédia, no canto XXXI do Inferno, quando narra as épicas batalhas entre 'lucchesi e pisani' - "i pisani veder Lucca non ponno..." (os pisanos ver Lucca não podem).
  • guilhotina foi usada pela última vez na Itália, em Lucca, em 1845, próximo a porta S.Donato. Alí foram decapitados 5 ladrões condenados por crimes violentos e sacrilégios.


  Principal fonte de pesquisa:  Breve Storia di Lucca - Paolo Bottari

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